Blog da ABDeC / RN

O que é melhor Película ou Digital?

Fonte: CTAv/Cezar Elias (Dir. Fotografia)

Este texto foi escrito por Cezar Elias e explica as diferenças entre utilizar película ou digital. Logo abaixo estão outras opiniões sobre o assunto. O objetivo da transcrição é o de informar os associados da ABD-RN sobre este assunto tão importante.

Em primeiro lugar, gostaria de colocar as coisas nos seus devidos lugares: com os avanços tecnológicos, se é que podemos chamar assim, se criou possibilidades de realização na captura de imagens dos produtos audiovisuais, que não existiam até então. O grande equívoco é querer comparar os métodos ou formas, ou tecnologias aplicadas nestas capturas por seus realizadores. E pior, querer enfiar por goela abaixo das pessoas que este é melhor que aquele.

Cada uma das tecnologias tem sua adequada aplicação. No final, tudo poderá ser chamado de audiovisual, porém, existe uma diferença enorme entre um produto produzido em vídeo digital para o produzido em película, e ponto. É uma questão técnica de engenharia em todos os sentidos e sabemos disso. São tecnologias completamente distintas.

Isto não diminui nem aumenta a estatura do artista que faz uma dessas opções, mas tem enorme influencia no conteúdo final estético de cada produto. Por mais avançado que seja o sistema eletrônico, ele “ainda” não atingiu nem na captura e nem na projeção digital, um resultado que chamo de “humanização da imagem”, quando captado no processo fotoquímico. Ora, se fazer um filme em película, não garante a qualidade da obra estética ou dramaticamente, é um conjunto de difíceis fatores a serem juntados que faz um filme ser bom ou ruim, em vídeo ou película.

Imaginemos que o mundo há cem anos utilizasse para a captura de imagens uma técnica chamada “vídeo digital” e anos mais tarde aparecesse um “louco” que utilizasse outra técnica de impressão num pedaço de “plástico” (celulóide), com 35 mm de espessura bruta e área útil de aproveitamento com apenas 22 mm, e ainda por cima, garante o “louco”, que projetando-se aquele pedacinho de “plástico” a uma distancia “X” de uma tela e ampliando o tal plástico em mais de 40, 60, 80 mil vezes seu tamanho original, daríamos de cara com o resultado das imagens nas telas nas quais nos acostumamos a ver?! Seria o maior invento da humanidade!!! Mas a história não foi esta, foi exatamente o contrário. Quero dizer com isso, que façam seus filmes como puderem, com a dignidade que seus recursos permitirem, sem comparações das tecnologias escolhidas e sim opções certas. Porque não há comparação.

Hoje em dia estas novas ferramentas nos deu condições de optar de acordo com o roteiro, a estética fotográfica, a arte, a finalização, a logística e agilidade, a estrutura de produção, e fundamentalmente o orçamento de cada filme. Que tecnologia usar neste ou naquele produto? Chamo atenção por exemplo: seria possível o grande fotógrafo Eduardo Serra (nosso meio patrício), fazer o filme Moça com Brinco de Pérola em vídeo e obter aqueles resultados fotográficos? Tenho certeza que não, pelo menos, ainda não.
—————-
O texto a seguir foi assinado por Ronaldo
Acho extremamente relevante essa questão. Estudo a “subjetividade” da imagem há muito tempo, bem como os processos de produção digital e video to film transfer. Tenho assistido em projeção digital (Rain) nas salas de exibição filmes e trailers de material captado com cameras semiprofissionais (com e sem adaptadores de lente) e editado em HDV e DVCPROHD e, com cuidados básicos como exposição/respeito à limitada latitude, escolha/colimagem das lentes, o resultado é muito bom, bem como o que é transferido de vídeo para película. Video de alta definição é igual à película? Certamente não, mas não tem que ser. É eficiente para contar a maioria absoluta das (potenciais) histórias audiovisualmente, sim, com certeza. Estou convicto (auxiliado por pesquisas informais) de que a maioria absoluta do público frequentador de cinema não consegue identificar (nem é sua preocupação) se o filme foi captado em película ou vídeo HD, a não ser em pouquíssimos casos quando o conteúdo do que é mostrado na tela não cativa nem um pouco seu interesse. Acho que num país de grande exclusão econômica e social de grande parte da população, nosso interesse deveria ser, ao meu ver, criar condições profissionais (remuneradas) para produzir o máximo possível, pois o exercício da realização é o que traz a qualidade à longo prazo. Nesse contexto, a produção em vídeo HD pode ter um papel fundamental, pois propicia condições de baixar sensivelmente os custos de produção, fora outros benefícios indiretos, como agilidade, leveza, monitoração, trabalho com elenco etc.
——————–
O texto a seguir foi assinado por Rodrigo Batalha
Ainda bem que opinião é algo pessoal. Trabalho com direção de arte e cena em televisão a pelo menos 15 anos, e acho que tenho algum embasamento pra discutir o tema. Depois de todo esse tempo, cheguei a conclusão que existe uma filosofia de alguns bichos grilos do mundo cinematográfico, que cada dia mais carregam seus fuzis de paradigmas acadêmicos. Alunos de cursos de rádio, tv e cinema a décadas saem de seus cursos alienados, com uma idéia engessada de que “isso e aquilo” são o certo ou o melhor. Talvez seja por isso que o mercado brasileiro hoje seja tão carente de grandes profissionais no cinema e na televisão. Em hipótese alguma qualquer tipo de público que frequenta cinema, ou assiste a televisão, saberá diferenciar o que é gravado em HD (true) do que é filmado em película. “Película é melhor!!” Pra quem? Já parou pra avaliar custos, mobilidade, orçamento, tempo, agilidade, e toda a gama de elementos de produção influenciados diretamente pela diferença de equipamento? Agora consideramos o fator “resultado”. Voce tem uma tv de alta definição (1080 x 1920)? Já colocou duas tvs true definition lado a lado, ou duas telas de cinema, uma com imagem captada em HDFull, e outra em película, e analisou com seu olho clínico as diferenças de luz, cores, brilho, imagem e definição? Garanto que nunca fez isso. Não adianta filmar em película, se 99,999999999% do publico que assiste não sabe, nem está preocupado com essa diferença, e sim, com algo muito mais importante do que esse nanodetalhe, que é a qualidade do roteiro, dos atores, a narrativa, a direção de cena, e tudo que faz um filme ser atrativo e aclamado pelo público. No caso de Moça com Pérola de Brinco, todo gravado em película, do que adiantou a fotografia e os rolos, se o resto é absolutamente lamentável? Melhor seria se tivesse gravado em mini dv.

Anúncios

Sobre SRSC

Journalist. Filmmaker. Audiovisual Researcher. MediaDesigner. English Teacher.

Um comentário em “O que é melhor Película ou Digital?

  1. Pingback: Os números de 2010 « ABD Potiguar 10 anos de sucesso: sol, cine e ação!

Olá cineasta! Obrigado pelo comentário. Visite nosso grupo no Facebook. Volte sempre. abrs. Turma Abedista Potiguar.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 25/10/2009 por em Cine Mais Cultura e marcado , , .
%d blogueiros gostam disto: