Blog da ABDeC / RN

Turino: “PT não apoia continuidade de Juca no MinC”

Fonte: CulturaGrupos

Resposta enviada por Eduardo Lurnel na quinta dia 11/11/2010, para a Lista uma nova cultura politica do GoogleGrupos, em nome de Celio Turino em resposta ao debate no Forum dos [Abdistas] Assunto: [CINEBRASIL] ASSINE! Pró-Célio Turino MINISTRO da CULTURA

“Amigos,

tenho evitado entrar neste debate porque entendo que meu nome só tem sentido se for colocado a serviço de uma causa, um processo e não por interesse pessoal. Desta forma, estou de acordo com todas as iniciativas e indicações que se fazem  (particularmente gostaria de agradecer a todos que tem assinado e escrito no manifesto “a cultura tem que dar um salto”, independente de qualquer resultado ele já tem cumprido um papel que é o de me ajudar a reencontrar o eixo e o encantamento, por isso, sinceramente, agradeço a todos que escreveram ou venham a escrever, incluindo a bela carta da jacqueline e outras iniciativas).
Dito isso gostaria de esclarecer algumas questões, até para contribuir com o debate e análise:

1 – Os 8 anos de gestão Gil/Juca representam, sem dúvida, um marco na gestão de políticas públicas em cultura. O MINC assumiu um papel mais ativo, avançamos no marco legal, em políticas específicas e na abrangência de atuação;

2 – Este reconhecimento, no entanto, não significa abrir mão de uma perspectiva que vá além da continuidade e que dê um salto no processo. E há sim, necessidade de dar um salto no processo, pois há insuficiencias na atual gestão do MINC;

3 – A primeira delas: a) gestão (alguém tem dúvida sobre isso? – execução orçamentária, forma de conveniamento, acompanhamento de processos na lei rouanet e convênios, sistema de informações, má distribuição de pessoal – gente de mais fazendo coisa de menos, gente de menos fazendo coisa de mais – etc…), localizado especialmente na secretaria executiva que, ao longo de 8 anos foi muito mais um espaço de articulação política que de gestão; b) o MINC não avançou na formulação de uma política geral para as artes (várias insatisfações de artistas profissionais e consagrados tem razão de ser e não são apenas reclamações de gente do “mercado cultural”; c) o debate sobre direito autoral precisa ser melhor esclarecido; d) falta consistencia conceitual e teórica ao Mais Cultura, que serviu muito mais como uma marca para legitimar a sucessão do ministro Gil que uma efetiva implantação de política cultural de acesso e democratização da cultura; e) apesar da força e reconhecimento do Programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, houve e há muita resistência interna ao programa e ele só chegou onde chegou graças a um esforço enorme da SCC e de muito pouca gente e com um grande desgaste pessoal que sofri, quase sempre calado, para não prejudicar o programa (na verdade o programa está mais ameaçado – em seu conceito e filosofia originais – com a continuidade do que com alguma eventual mudança);

4) Isto posto, considero legítimo e necessário conjecturar a continuidade com avanço. A cultura precisa sim de um salto;

5) 8 anos de gestão continuada já é muito tempo, gera vícios, pequenos grupos de interesse, patotas e uma mudança seria muito saudável. Isso não significa deixar de lado todas as conquistas; por isso a necessidade de um fio condutor, que mantenha o que houve de bom (inclusive de equipe) e ouse naquilo que se necessita ousar ((novo modelo de gestão dos pontos de cultura, saindo da modalidade convênio e fazendo acompanhamento por resultados, agilidade no acompanhamento de processos, sobretudo lei rouanet, reestabelecimento de diálogo com artistas profissionais, etc…), novas prospecções em politica cultural de vanguarda;

6) Percebendo esta necessidade, vale a pena especular sobre o processo sucessório:
a) a presidenta Dilma tem o direito e o dever de assegurar em todo seu governo a continuidade com avanços, foi para isso que foi eleita,
b) pelo que tenho visto ela vai fazer essas modificações e , pelo que tem indicado, raramente manterá os mesmos ministros nos mesmos cargos e, quando isso acontecer será nas funções mais estratégicas. eticamente considero errado constrange-la neste processo sucessório, impondo manutenções que ela não deseja.
c) em relação à cultura percebe-se que não é prioridade para nenhum partido e, muito provavelmente, a decisão ficará para o final do processo (provavelmente como alternativa a um cargo mais ambicionado),
d) exatamente por isso, as forças ativas da cultura tem o dever moral e político de apresentarem suas propostas, sem restrições ou medos. Sei que as chances para o meu nome como ministro são muito pequenas, mas não me importo em que esteja colocado – principalmente se for resultado de uma vontade espontânea e legítima – e não temo por nenhuma consequência (“queimar” meu nome ou coisas do tipo), desde que façamos tudo com ética, todos aqui estão autorizados a apresenta-lo para as funções que julgarem mais legítimas e de acordo com as necessidades da cultura. Diria que este processo de indicação atual pode até fortalecer e chamar atenção para a relevância e significado dos Pontos de Cultura e do Cultura Viva, colocando-nos em boas condições de negociação, independente do cargo;

7) Agora uma análise fria da situação (e apresentação de informações recentes):

a) Ontem houve uma reunião do coletivo nacional de cultura do PT e ficou decidido que o partido não apoia a continuidade do ministro Juca (mesmo respeitanto e reconhecendo seu papel no processo) e mesmo os petistas que trabalham no ministério e que foram para a reunião com o objetivo de defende-lo ficaram sem condições para apresentar seu nome;
b) A equipe do novo governo já manifestou o desejo de mudança no comando do MINC e deixou claro que o movimento pela permanencia está trazendo constrangimentos à presidenta;
c) O PT vai reinvindicar o cargo de ministro (nomes mais expressivos: Emir Sader – que compreende bem o papel dos Pontos de Cultura, tendo defendido esse conceito com muita propriedade, tanto que assina o prefácio do meu livro – e Celso Amorim – caso saia do Itamaraty), mas admite que o cargo vá para um partido aliado, desde que aconteça um compartilhamento de gestão, o que eu concordo plenamente, pois a cultura não pode ser partidarizada;
d) PMDB e PCdoB (caso ocorram mudanças nos Esportes) são as alternativas mais reais;

8) Isto posto, avaliem vcs se vale a pena ou não fortalecer alternativas que vão garantir este processo de continuidade e avanço. Eu acredito que vale.

9) Mais uma questão: Neste momento há muita gente defendendo os Pontos de Cultura (até porque o único pedido da presidenta Dilma para o MINC foi que se estabeleça a meta de um Ponto de Cultura em cada cidade do Brasil), mas às vezes, a defesa pode ser apenas aparente. Só Deus (e algumas pessoas muito próximas) sabe o que sofri de boicote e falta de apoio nestes 6 anos. Lembram-se da comissão paritária em 2006, que paralizou por mais de um ano todos os pagamentos de pontos de cultura? Ela surgiu porque estava em jogo o processo sucessório do ministro Gil e foi imposta sem que houvesse qualquer preocupação quanto ao prejuízo nas comunidades. Neste ano, novamente, todos os prêmios e convenios paralizados (a quem isso interessou?). Em governo, as pessoas não precisam dizer que são contra, basta inventarem desculpas burocráticas e institucionais (TSE, CGU, normas, etc…etc…) para travar as coisas. Por favor, não sejam tão ingênuos neste processo;

10) Por último. Vou evitar ao máximo as minhas manifestações, mas se perceber que estão querendo manipular o patrimônio do meu trabalho (não falo desta lista, mas das partes interessadas em disputar poder no MINC) vou ser mais explícito, não me importando com as consequências que isso tenha para comigo (vivo de ideias e não de cargos) e hoje acredito que a possibilidade de minha volta ao MinC está mais ligada à continuidade com avanços que a continuidade com a mesmice.

11) Agora para além do último, falando de coisas boas. Torço para que tudo seja resolvido logo e assim poderemos pensar nos avanços. Que tal (só jogo as ideias):
a) a cultura assumir um papel ativo na erradicação do analfabetismo (a grande insuficiencia em política social no governo Lula)
b) a cultura ajudar a promover um salto na qualidade da educação básica, com pontos de cultura nas escolas e a aproximação entre o conhecimento tradicional e o ensino;
c) efetivarmos o serviço civil para jovens, com uma nova e ampla ação Agente Cultura Viva, fortalecendo o protagonismo juvenil, quem sabe 200/300 mil bolsas de imediato;
d) um salto estético no processo de interpretação do Brasil, envolvendo mais os artistas no processo;
e) Uma mídia livre, com o fortalecimento das rádios e tvs comunitárias, os sites e blogs independentes;
f) um amplo sistema de orquestras jovens e um ensino de música eficiente;
g) um efetivo programa de manutenção de corpos artísticos estáveis (companhias profissionais de teatro, dança, etc…) nos moldes dos pontos de cultura
i) a triangulação Cultura/Economia solidária / meio ambiente
j) uma efetiva política para as indústrias criativas

Há tanto por fazer, tanto por criar… quem sabe um dia tenhamos força para ir além, minha candidatura a deputado era para acumular força para isso, infelizmente encontramos pouco eco. Mas como as ideias são mais fortes, reencontramos força novamente

Abraço a todas e todos

Célio Turino”

Anúncios

Sobre SRSC

Journalist. Filmmaker. Audiovisual Researcher. MediaDesigner. English Teacher.

Olá cineasta! Obrigado pelo comentário. Visite nosso grupo no Facebook. Volte sempre. abrs. Turma Abedista Potiguar.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 15/11/2010 por em Animação, Audiovisual, Bolsas de Estudo, CBC, Cine Mais Cultura, Cinema, Cultura.
%d blogueiros gostam disto: