Blog da ABDeC / RN

Vai e vem na SAv

Fonte: Piauí/Eduardo Escorel

Ministros, secretários, diretores de estatais e agências reguladoras, e até mesmo presidentes da República, sejam homens ou mulheres, vêm e vão. No caso dos que ocupam cargos de confiança de segundo escalão no governo federal, a maioria tende a ser esquecida. Anônimos ao assumir, continuam desconhecidos ao serem substituídos. Poucos deixam marca pessoal da sua passagem pelo serviço público, o que não caberia mesmo ao servidor comprometido com ideais de eficiência e impessoalidade. Há, porém, os que chegam fazendo um certo espalhafato, o que também não evita o esquecimento.

“O Globo” de terça-feira (22/2/2011) deu a primeira página do Segundo Caderno à Ana Paula Santana, funcionária pública recém nomeada para a Secretaria do Audiovisual (SAv) pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Imbuída de certezas, a nova secretária parece ter soluções prontas para tudo. Deveria saber que, antes dela, muitos chegaram a cargos equivalentes anunciando mundos e fundos, apenas para constatar em pouco tempo que só podiam fazer o que era possível, não o que desejavam.

Diante da dimensão e complexidade do setor audiovisual, soa algo incongruente que a primeira iniciativa da nova gestão seja investir na “formação e incentivo de coletivos criativos e na política de animação”. Sem entrar no mérito da proposta, que pode ter sua importância, essa bandeira está longe de contemplar as necessidades estratégicas da área.

As declarações da secretária sugerem estarmos, mais uma vez, diante de alguém que chega a um cargo importante anunciando com estardalhaço a invenção da roda. Ela não pode ignorar que há pelos menos 30 anos são feitos investimentos públicos no desenvolvimento de roteiros cinematográficos. O que está por analisar são as razões do resultado pífio dessa iniciativa, em vez de anunciar sua continuidade como se fosse algo novo. Tampouco deveria supor que algum filme seja feito sem a ambição de alcançar o público.

Como outros antes dela, a nova secretária parece acreditar que a qualidade de um filme possa ser predeterminada por funcionários do ministério, com ou sem comissões de seleção integradas por profissionais. Considera, além disso, que cabe ao Estado dar conselhos a cineastas e influir “no processo criativo do setor”. Preconiza, ainda, um cinema que leve em conta o “gosto do público”, o que supõe aceitar passivamente os ditames do mercado.

Afirmando pertencer a uma geração que “se afastou da cultura brasileira” e “não conheceu nenhum movimento significativo de pensar e refletir em termos de identidade”, a própria secretária considera sua escolha uma novidade. Boa ou ruim, só o tempo dirá.

 

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Sobre SRSC

Journalist. Filmmaker. Audiovisual Researcher. MediaDesigner. English Teacher.

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Informação

Publicado em 26/02/2011 por em Animação, Audiovisual, Cinema.
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